Segunda-feira, 03.08.09

"Aldrich caminhava subreptíciamente pela rua deserta, banhada, naquele instante, pelo luar, com o olhar fixo no chão. A sua figura desenhava uma sombra incrivelmente ténue, embora aquela fosse uma noite de Lua Cheia. A calçada, por tantos pisada e desgastada, tornava-se um perigo a cada passo, pois chovera todo o dia. Levantou ligeiramente o olhar e constatou que todas as portas e janelas se encontravam fechadas, não se encontrando vivalma na rua. Um olhar rápido no relógio de bolso revelhou-lhe que o horário de recolher obrigatório já tinha começado há mais de meia hora. Suspirou. Nunca gostara de actuar em campo, principalmente em dias chuvosos. Mas havia algo de inevitavelmente importante a fazer, que não poderia ser feito por nenhum dos seus companheiros e que o impelira a abandonar a sua casa, mesmo naquelas angustiantes horas. Apressou o passo, caminhando em direcção à primeira das três ruas adjacentes à rua principal onde caminhava, no lado direito. O número de porta 3713 estava perto. Perto estava, também, o começo do destino de alguém."

- Cath 2009

 



Cath às 16:18 | Δ | Comentar

Domingo, 30.05.93

“Giramos calmamente sobre nós mesmos, o meu olhar morrendo por largar o teu . No momento seguinte, sorríamos de vingança, de fúria, de autopreservação, na direcção deles, em uníssono . O teu sorriso chegou a mim, e a tua vibração electrizou-me, no mesmo impulso . Estavam vestidos como aldeões. Porém, as espadas que envergavam - incrivelmente ricas, indubitavelmente mortíferas – eram espadas de soldado . A minha mão deslizou pela minha cintura e agarrei com força o cabo quente. Estava pronta .

A tua espada voava longe da minha percepção - o meu coração batia a mil. Sentia-o nos ouvidos, a latejar, como se o sangue tivesse decidido aglomerar-se nas têmporas. Contorci-me entre eles, derramando menos sangue do que o que desejava, para te proteger. Tudo parecia enevoado, mas não se sucedia em câmara lenta, como nas histórias nos sugerem. Era tudo, verdadeiramente, muito rápido, e várias espadas roçaram a minha pele, derramando sangue impriscindível à minha necessidade para o momento. Era tudo tão difícil, tão doloroso, exigia tanta concentração, tanta destreza – eu não possuía nada, nada mais do que o meu amor por ti. Mas vencíamos, os seus números iam baixando.

Cruzamo-nos diversas vezes, mas o teu olhar não se cravava mais no meu. Nem o meu podia afluir para ti. Uma sensação horrosa pairava no ar, e eu podia jurar que também a começaste a sentir. O número de soldados decrescia. A dor no meu braço diminuía, assim como a necessidade de concentração. Atingiu o limite quando olhei para ti e tu cortavas duas cabeças postradas no chão... Tudo tinha acabado. Mas a sensação não desaparecia de mim. Ele vinha. Ele vinha. Ele não ia desistir.”

- Cath 2009



Cath às 20:40 | Δ | Comentar

"Perscrutei o rio enquanto descia na tua direcção, mas não conseguia ver a outra margem. O espelho de água doce fazia de tudo floresta. A ideia dessa camuflagem deixou-me inquieta por instantes - não os poderíamos ver se se aproximassem. Um dos grandes problemas de viver num Conto de Fadas é esta constante perseguição, que sempre nos encaminha para um suposto final feliz e um novo recomeço. Naquele momento, dirigindo-me a ti, encaminhava-me para a fabulosa sensação de reencontro que precede a tremenda batalha de vida e de morte. Os tufos de erva, tão verde e macia, abafavam os meus passos e eu descia. As árvores mantinham-se inalteradas, as mesmas inscrições sulcavam os troncos cobertos de musgo, embora os ramos, nesta altura do ano, agitados por um leve brisa, se encontrassem despidos de folhas, que repousavam no chão. Este som, embora suave, parecia-me insuportavelmente ruidoso, no meu desejo de ouvir a tua respiração. Olhavas para mim com o mesmo ar traquina de sempre, mas uma nota de preocupação assomava-se no teu semblante. Algo mais brilhava, ainda, no teu rosto e a percepção do que era apressou-me e num instante parava ao teu lado . Tinhas as calças rasgadas e os pés descalços e a tua espada repousava no chão. A minha espada bateu-me na coxa, como um aviso e arregalei os olhos, para ti, num aumento de inquietação. A tua mão esquerda dirigiu-se para o meu rosto, que começava a dar sinais do intuito de copiar o teu e soltaste em mim uma das carícias mais doces de que tenho memória. Perdida nessa inebriação só me dei conta da tua verdadeira intenção quando sorriste e disseste o meu nome - na minha mão direita repousava, no segundo dedo, a tua promessa.

E, de todos os lados, eles chegaram."

- Cath 2009



Cath às 20:30 | Δ | Comentar

♥ Citação

"Cinderella? What's that? A disease?"

- Ron Weasley, Harry Potter and the Deathly Hallows.

♥ A ler

As Viagens de Gulliver - Jonathan Swift

♠♠♠

"A narrativa da viagem de Lemuel Gulliver a Liliput, um reino de anões, alcançou tal êxito que se tornou numa das obras mais lidas da literatura universal."

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